terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Cinza


O caminho é coberto por folhas secas. Ficará esquecido, perdido no meio do nada. Apenas um barulho, o da melodia de pingos de chuva tocando nas folhas. O vento completa a exibição sonora da natureza. A natureza também tem seu ritmo. Pássaros voam. Suas asas rebatem alguns pingos. Olham tudo por cima. São pequenos e frágeis reis em seus reinos libertos do chão. Sem amarras. Não há mais água ao redor, apenas chão, gritam lá de cima. Secou tudo. Apenas a água da chuva caindo levemente.
Onde havia águas profundas, há somente um barco, esquecido, virado com furos no casco. Um barco que será corroído e esquecido pelo tempo, virado no meio do nada. As palavras do navegante daquele barco escorreram pelos buracos no casco causados por ele mesmo enquanto estava perdido em suas próprias tempestades internas. Agora, todas suas lembranças secaram com a água, até a última gota. Não há o que recordar. Tudo dele ficou cinza.
Ele havia aderido à arte de atuar e criar. Criou sua dramaturgia, mas caiu desempenhando o papel criado por ele mesmo. O fogo acabou destruindo o cenário. Só ficou cinzas que o vento espalha, levando para longe. O tempo estendeu-lhe a mão, mas, ao ajudá-lo a levantar, disse para ele ir embora. Não restou nada, não há mais como consertar o cenário. Ele perdeu a própria estória. A solidão não olha para ele e nem pertence a dramaturgia inventada por ele. A solidão não tem companhia, mas é real.

Vá e não volte. Suas companhias estão lá na frente, disse o tempo para ele. Quando, finalmente, ele partiu, a porta do tempo foi fechada para que a poeira levantada não sujasse sonhos que não lhe pertenciam.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Suspiros



 As nuvens acendem a luz no fim de tarde. Já estavam à espera da noite que chegou revelando a fase da lua. Fases de meiguice e ternura. Menina. Mulher. A lua mostra-se. Nuvens dispersas. Pensamentos velozes, não se perdem no caminho. As palavras começam a cantar. É quando o vento traz de longe a voz que não ensaia a rima. Sem ritmo dançante. Apenas um ritmo diferente que vibra dentro do peito. As letras chamam. Sinalizam. Piscam. Código Morse. É quando os sentidos captam e enviam pensamentos. Pensamentos deles foram, velozes, na ânsia de um abraço, mas colidiram-se. Não se machucaram. Ele segurou e colocou a moça no colo por um instante. Ela é como uma pétala na palma da mão delicada dele. Pingos caem de nuvens que não seguram as lágrimas. Pingos que caem lavando, mas não retirando a cor. A cor vermelha de uma pétada na palma da mão. A mesma cor que une o coração das palavras. Palavras que o vento leva das mãos ao ouvido. Suspiros.

domingo, 25 de dezembro de 2011

O som que não para




Palavras entrelaçadas. Palavras que sentam no banco da praça arborizada e ficam apreciando as pinceladas que pintam a noite. A brisa sempre por perto, mas não emaranha as frases. O vocativo não entrega o nome. É quando a nuvem esconde a lua. O vento cobre o nome com folhas. Folhas desenham um coração. O coração que bate no peito do vocativo.
A banda passa tocando a música deles. Silenciam. Apenas, ouvem. A lua ilumina. Como se estivessem na platéia de um palco imaginário. A banda ainda toca, apenas para eles, a canção que é só deles. Revivem com a música tocando dentro deles. O som que não para. O tempo parece parar. Instantes eternos quando as palavras deles sussurram, completam suas frases, entendem suas entonações enquanto a música é ouvida sob a luz da lua.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Navegante


 Quando o sol desperta com aquele brilho intenso, são os olhos dele fitando-a. A visão dela perde-se no azul. Não consegue fitá-lo. Não consegue ir e nem voltar. Mas ele olha para ela e toca o ombro dela com o seu calor. Ela sente. Sorri de volta e sussurra algo. Cada um no seu lugar. Troca de mensagens. Telepatia. Sentidos afiados. Ela traduz o som do coração. Conexão. Ela compõe uma canção. Ele ouve com atenção. Faz parte dela. A canção é para ele. Ele faz uma modificação na letra, incluindo-a também. A canção, agora, é para os dois. A letra está completa. Mas não definiram o compasso. Ela pede para ele ouvir quando ele estiver navegando por águas calmas ou turbulentas, em águas próximas ou à deriva em alto mar.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Link


 Palavras doces, puro mel. O verbo é o néctar. Matéria-prima do mel que banha as orações e escorre pelos espaços entre as letras e as pausas das vírgulas. Palavras digeridas por olhos famintos. A sede subsequente é por mais. Pula-se em águas profundas. Submersa, a sede cede. Debaixo d'água, imersa em um silêncio gritante, por meros instantes, ela pensou ter visto a imagem dele. É a imaginação piscando. A imaginação cria formas. Ela perde a noção do tempo. Volta pra cima, impulsos a fazem bailar enquanto volta à superfície. Ela vê o farol. O farol indica a direção.
Pensamentos voam até lá, de olhos abertos. Não querem perder um detalhe do rosto dele. A mente irá fotografar, a alma internalizará.  Se a saudade chegar, ela terá a imagem colorida dele em mente. O vento bate forte. Nada levará. Nenhuma palavra cairá na água e nem ficará presa em correntes de âncoras por tempos infindáveis no fundo do mar.
Ele está, lá, com um embrulho em mãos, à espera dela. Quando ela chegou, ele entregou o embrulho para ela. Ao desenrolar, ela viu que eram tão lindas e verdadeiras as palavras que ele deu à ela. Ele pediu que guardasse aquelas palavras com cuidado e que as deixasse florescer. Serão guardadas no lugar mais seguro, no coração, disse ela. Ele sorriu agradecido. As palavras são links para nossos sonhos, disse ele. Suas palavras serão bem cuidadas, disse ela e, em seguida, ela agradeceu e deu-lhe um beijo na mão. 
Os pensamentos dela voltam até ela, mergulhando em águas claras, chegam encharcados, deixando molhados os olhos dela.

Linhas do papel


As cores de uma tarde. A brisa espalha a tinta. Uma combinação de cores fortes. As nuvens realçam. Não mancham. O pincel pintou um balanço para a moça sentar. Embalando-se, olhando para o nada, pensando em tudo. Ele pensa nela. É o sentimento recíproco através de palavras, de sonhos. Tocam o coração um do outro. Compondo a cada dia. Vivem de mãos dadas durante o sonho. Não há nada de errado. Corações embalados pela doçura. Ele manda um beijo através do tempo. Ela guarda numa caixinha para que não se desfaça. Mandando outro para ele em seguida. As palavras deles submetem-se ao coração. São seus vícios diários. Ele confessa sua arte para o papel. Ela apenas esboça o que não chega aos pés dele. Uma arte encantada. Eles são encantados em um mundo de sonhos. Eles encontram-se nas linhas do papel. É uma tinta feita da matéria de sonhos que não borra e não se apaga.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Fé e Coragem



É na ida que os tropeços fazem sentido. Levanta-se e segue adiante com mais vontade. Sonhos estão ali na frente, guardados no futuro. De lá, não sairão. Às vezes, o vento sopra, mas não para levá-los para longe, mas para mostrar que estão lá à espera da realização. Os caminhos são longos mesmo. Mas quando se calça de esperança e força de vontade, passa-se por eles sem perceber quão longos são. Passa rápido como as horas que não demoram mais. Sonhos, anseios, é a vida correndo nas veias. É o sentido. Não se pode parar no tempo nem no espaço. Um espaço vazio. Um ser vazio. É preciso ter sonhos e correr atrás de suas realizações com afinco e honestidade.
Uma vida é feita de sonhos, de anseios, de vontades, de curiosidades, de dúvidas, da ânsia pelo saber, etc. São coisas que impulsionam, que dão novo gás. Se fosse possível transformar todos os sonhos em realidade como num passe de mágica, seria fácil demais, não teria o mesmo gosto, a mesma satisfação, a mesma sensação de vitória. É com o esforço que vem o gosto. O gosto da satisfação de querer, esforçar-se e conseguir. Depois de muito esforço, consegue-se o que almeja. Por exemplo: depois de estudos árduos, consegue-se a aprovação. É digno. É alegria em alto grau. Mais uma meta alcançada dentre outras que já foram e outras que ainda serão. É a prova de que se pode conseguir. Os verbos "querer" e "conseguir" andam juntos lado a lado. Muitas vezes, o verbo "conseguir" vai ficando um pouco de lado. Mantenhamos os dois juntos lado a lado. Ninguém é fraco o suficiente que não possa suportar o peso de um sonho. 
De olhos fechados, de olhos abertos, sonhos permanecem. Não desaparecem como fumaça. Dorme-se, acorda-se, os sonhos continuam. Fazem parte de nós. O futuro acolhe-nos, oferecendo fé e coragem.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O fundo da alma



Ele enxerga o fundo da alma e compartilha o saber brilhante. Exatidão. O esplendor da sabedoria lançado até nós. Abre-se as mãos para receber. Vem de longe e permanece. Leitura atenta. A alma agradece. A palavra dele não falha. Dia após dia, e, sempre, esperando-se por mais. Olhos não se cansam. A leitura é simples, mas o significado é grandioso, o efeito é total. Gentileza e sabedoria guiam a mão. A mão que oferece o saber. A mão da simplicidade e da bondade. Corações abrem as portas e deixam entrar. Um saber singular. A voz que é ouvida de longe. Sana dúvidas, almas, mais leves. Coração mais forte. Passos mais firmes. Guiando-se pela mão humilde, bondosa e sábia. O saber esperado por todos a cada dia. A razão de estar em tela. Palavras que transformam. Palavras que tocam a alma. O anseio pelo saber. Sintonia. Resultados que não tardam quando aceito com humildade, o saber repassado. A sensibilidade dele percebe, o que não vemos. Mas ele mostra-nos dia após dia. É querer, sempre, mais. A fonte dele é inesgotável. Nossa sede, insaciável. Manhãs bem melhores, é quando a fonte jorra. Deixa-se molhar. É renascer todos os dias. É olhar a realidade com outros olhos. Olhos amparados pela mão que nos leva a olhar para dentro de nós. Palavras brilhantes que chegam. Internalizam-se. Almas, no claro. Quando a tela é desligada, só há claridade. Uma realidade mais clara.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Mundo encantado



Papel. Um óculos. Uma xícara de café. Ideias passeiam. Há uma curva. Chegam até lá. Além da curva. Um abraço. De mãos dadas a caminhar. Em silêncio, mas suas almas dizem muito. Uma pétala no chão. Olhos fitam a pétala. Ela pega e leva consigo. Pensando em como a pétala foi privada da sua flor precocemente. Mas ela será guardada, protegida até seus últimos instantes. Ainda possui cor e essa cor dá vida à ela.
Continuam caminhando. Vão até o rio. Molham os pés. Água fria. Sentam-se e encostam-se em uma árvore. Ele olha para ela. Ela, tímida, desvia o olhar. Ele tenta descobrir em que ela está pensando. Sem saber que ela pensa nele mesmo com ele sentado ao lado. Ela sorri de como são bobos. Calados, querendo dizer tudo. Olha para o rio, querendo olhar para ele, querendo tocar o rosto dele. Quer dizer algo, mas nenhuma palavra. Esconderam-se todas. Interrogação. Inibidas. Desconcertam-se diante do silêncio.
 É quando as ideias que passeavam, voltam. Novamente, papel, um óculos. O rosto dela desenhado. As ideias deixaram, com ele, a lembrança das mãos macias dela segurando as dele enquanto caminhavam. Uma pequena estória trazida pelas ideias. Um mundo encantado. Um mundo paralelo. Só eles vêem. Só eles sabem o caminho. Reticências.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Pontinhos grandiosos

                                                                          

Tarde azul que se foi. A brisa trouxe o canto do pássaro. O canto misturou-se ao barulho do vento. É a natureza viva falando através de uma brisa. Árvore carregada, folhas ao vento. Pela cor, sente-se o gosto da fruta madura. Era o colorido de uma simples tarde. Mas a tarde recolheu-se para a noite chegar. Um ciclo perfeito. Pontinhos grandiosos lançam seus brilhos sobre nós. O brilho da lua não permite que sonhos percam-se. 
Pensamentos vagam pelo tempo bom. Chamam a inspiração que chega devagar. Palavras simples, papel em branco. A ponta do lápis não quebra, a borracha perdeu-se no vale da imaginação. Vogais cercadas por consoantes. Mas as consoantes não imploram pelas vogais, pois já são unidas, são irmãs. Palavras captam sentimentos, pensamentos, falam por vozes caladas. Olham adiante, olham através, olham o fundo da alma. São atemporais. Não se perdem. Estica-se a mão e toca-se o coração da palavra. Ela desenrola o esboço da arte no papel.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Retratos


A tarde partiu, deixando palavras, em tela, palavras lidas, sentidas, que formam retratos. Retratos da alma. É um toque no coração. Ela retribui com pequenas palavras, imensas em seus significados. É um sussurro de coração para coração. Corações distantes, porém verdadeiros. Histórias criadas por corações reais. Palavras, desembaraçadas, escondem-se na palma das mãos. Mesmas mãos que exalam o apreço. Doçura. Olhos que não perdem a leitura, sempre, ávidos por mais. Ouvem vozes verbais. As palavras dele ressoam longe e pregam nas paredes do coração. A milhas de papel. Papel protegido dos caprichos do tempo. Tempo que sucumbe às palavras. Palavras que compõem memórias e eternizam-se na alma.

Pensamentos



Ouvindo o dizer que vem de longe. Depois do horizonte. Palavras que invadem e ficam com corações em mãos. O pensamento dele rapta os pensamentos da moça e, de repente, ela está lá. Quieta, muda, apenas, olhando para ele enquanto ele escreve. Só o barulho do vento. Pensamentos. Sentados na varanda, ela aprecia a vista.
O arco-íris parece ainda fazer a ponte. A ponte que liga os pensamentos. Ela suspira. Ele sente que ela está lá. Ela caminha até o jardim. Pega uma flor e sente o perfume. Caminha descalça pelo lugar. Sentindo a terra fria. Ele fica olhando para ela e sente um bem-estar pela presença encantada. Levanta-se vai até ela. Ficam parados olhando um para o outro por um tempo. Nada a falar. Ele segura as mãos dela. Ela, serena, pensa em dizer algo, mas permanece calada. Ele dá um beijo na flor que ela tem em mãos. Ela, devagar, sai. Levando uma flor reanimada.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Diálogo incompleto



Papel, em pedaços. Travessões de um diálogo mudo. Encolhem-se diante da gargalhada brutal do tempo. Palavras escorregam pelas falhas propositais do papel. Papéis rasgados, palavras quebradas. Períodos defasados. Palavras pulam nas mãos, mas o destino, o papel, está em pedaços.
No vidro da janela, uma figura. É a lua que tateia constatando se não está quebrado para que não haja pedaços ao vento. A palavra respira. Pequenas correntes de ar, mas, não, ventania. A palavra não vinga onde não há água e nem ar. A natureza cuida e preserva. Nascente de águas quentes escondida no coração. O afluente, na mente. Confluência da imaginação.
A estrela chuta inspiração. Um chute rasteiro. Foi aparada pela mão. Mãos molhadas pelos pingos de nuvens derretidas. Palavras nascem borradas. Uma brisa que seca exibindo borrados. Borrados de um diálogo incompleto em um pedaço de papel.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A chave



                     

 Logo mais, as estrelas aparecem com a chave do portal dentro de uma caixinha, o sono. A porta de entrada para qualquer lugar. Livre das horas importunas. Um outro lugar, com outras imagens. Um tempo diferente sem hora para voltar. É estar lá no meio de tudo. Uma blusa branca para continuar despercebida. Nenhuma letra, apenas a cor branca. A cor branca esconde, mas mostra o coração. Está voltado para frente e não para trás. Muitas ruas nesse lugar, talvez haja um abrigo. Não há chuva. Sem telhas. Tudo faz sentido.
De repente, é respirar no meio de um campo lindo que beira o infinito. É olhar para cima e internalizar o encanto daquele lugar. Poucas nuvens, um lindo azul, cantos, árvores e flores ao vento. A canção é trazida pelo ar. Em sintonia com as folhas enfeitiçadas pelo som. A natureza é gentil até em sonho. É não querer acordar.

Céu azul



Emergir e ir até a margem de um rio de águas claras. Recuperar o fôlego. O mergulho foi fundo. Em água profundas, porém visíveis. Uma árvore carregada de sonhos. Pássaros cuidam para que os sonhos não caiam e não se quebrem em mil pedaços. Seria muito difícil remendá-los. Já basta os que caíram na água e a correnteza levou. A natureza tem sua própria música. Ouvir. Divagar. Chegar lá. Treinar a mente. Olhos enxergam muito além do que se pode compreender. Levanta-se e anda por toda a parte, calçada de esperança e fé, conhecendo o lugar.
O pássaro voou, um sonho caiu e quebrou. Lá adiante, uma cachoeira. Aprecia a natureza. Calmaria. Cores. A mão que  pintou o cenário. De onde brotam os sonhos. A brisa acalenta, mas os olhos não dormem. Enxergam além do horizonte. Parece que há alguma imagem. Está turva. O vento chegou e levou para bem longe.
Pensamentos voam com o vento, retornam a todo momento. Seguram a esperança pela mão para que ela não tropece nas pedras e não fique no chão. Os caminhos são longos e os anseios correm a mil na direção oposta da imagem que foi levada. O tempo é bom, a tempestade foi levada embora de vez. Agora, é só apreciar o céu azul.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A palavra



A palavra. A personagem principal da história. Cria, o tempo passa, faz história. Ciclo eterno. Não se desmancha. Pode ser apagada do papel, mas não da lembrança. Criação rima com imaginação. Andam juntas. Todas residem no deslimite. Sonham, aprontam, fazem arte. A arte da palavra. É o que se tem. Tudo pode acabar, a palavra fica. Nada mais. As linhas chegam ao fim, as palavras seguem adiante, vão além. Às vezes, verbos colidem-se, quebram-se. Param e emudecem diante do muro da ingratidão. Olhos mal podem acreditar, mas contornam e caminham para frente. A história, sendo escrita. A palavra inspira-se. Palavras vivem à mostra, não são exibidas, mas não vivem escondidas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A tinta não falha


Ele escreve. Ela está ao lado dele o tempo todo. Concentrado, não a percebe. Ela, olhando para ele, sussurra algo, mas ele não escuta porque seu coração está fechado. A voz, suave, dela manda, por debaixo da porta, um recado.  Ela não quer que ele esqueça que o coração dela bate dentro dele.
De repente, ele pensa nela. Foi a brisa que soprou em seu ouvido. Ele entende o que lhe foi enviado. Desconcentra-se, as palavras pulam tontas dos dedos dele e fazem uma ótima performance no papel. Esse papel não vai rasgar, é resistente. A tinta dessa caneta não falha. Ele abre as portas do coração para ela entrar. Quando ela entra, desmaia nos braços dele, entorpecida de amor. Vendo aquela cena, a brisa suave, sempre atenta, abre os olhos da moça. Ela passa a mão, levemente, no rosto dele. Ele fecha os olhos e, os pensamentos indicam a direção, deixando-os frente a frente de olhos bem abertos. As palavas planejam um beijo. Em seguida, despem-se da realidade. Imaginação. A palavra, sem limite, sai do coração.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Estrela


Uma nuvem escura vai em direção a estrela para escondê-la com seu manto negro. Tapou sua visão, mas não sua audição. Não há tormento, não há lamento. Mas em um momento, a nuvem passa e vai embora, descobrindo a estrela, intacta, com seu mesmo brilho ou mais intenso. Visto a olhos nus, um pontinho no céu com forte brilho, assim é ela. Uma bela participação num fim de tarde. A estrela, com seu brilho, tocando corações apaixonados em um céu limpo, mas com a lua de pés cobertos.
Quando o dia raia, o sol está à espera de algum amor que não encontra ou que não chega. Corpos diferentes num mesmo espaço, nunca se encontrarão. O sol, majestoso, reinando, esquentado, procura, desesperado, o amor de alguma estrela, mas cego pelo seu próprio brilho, na verdade, almeja raptar o amor de uma constelação inteira.

Ondas




 As ondas levam o eco do silêncio que vai parar em algum lugar. Sente-se à beira-mar, escutará. O silêncio que grita dentro do peito. Aprecie o luar. Receba a flor que ela te dá. Inversão de papéis. Uma flor de sonhos imersa na realidade. A palavra venera. O coração não esconde. A mente corresponde. A palavra possui olhos desnudos e enxerga além do que se pode notar. Anseios e vontades.
 - Vem cá, sente-se aqui. Vamos olhar para o mesmo lugar, disse ela.
A tarde está indo, a noite, quase vindo e hoje já é quase amanhã, amanhã, quase depois de amanhã. Os dias correm e o ano nem demora mais tanto assim. A vida passa, o mar é o mesmo, mas, sempre, muda suas ondas, sempre, são outras. Olhos que o fitam,  tornam-se testemunhas caladas pelo assombro. O mar oferece ondas, mas ninguém nunca sabe para quem.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Túnel do tempo



De repente, a música faz uma abertura no tempo. Quando, por essa abertura, passamos, no primeiro passo dado, chegamos em algum lugar do passado. A mente, sempre, vai na frente e joga algo que puxa-nos até lá. É viajar sem sair do lugar em que o paradoxo assume todas as responsabilidades.  É entrar no túnel de acesso à grandes hits e voltar à épocas marcadas e entranhadas na memória. É ver no telão de nossas mentes filmes que nunca sumirão porque fazem parte de nós, estão marcados na alma. Fazem das músicas links com o presente.
Vozes e ritmos que ainda deixam-nos sem os pés no chão. Bandas que tornaram-se lendas para cada um de nós. Letras que arrebatavam nossos corações e gritavam, revelando aos quatro cantos, um pouco dos nossos sentimentos ou descobrindo o que estava escondido em algum canto do coração. Quando a voz canta, ela fala por nós. Há uma química perfeita entre algumas canções e nós, seus amantes fiéis. Uma química que jamais irá se desfazer porque se a canção ordena, o tempo obedece. E a canção é feita para que seu grito seja ouvido por todo o lado, para que sua letra não se perca, para que seu papel não rasgue, para que sua tinta não borre, para que desperte nossas emoções, para que faça-nos sentir mais vivos.


Às vezes, a palavra encontra-se desmaiada em um campo florido, protegida pelas flores, enquanto o verbo a procura, gritando por ela, com sua voz firme.

A música da noite



A tarde teve que ir, mas antes de partir, deu a dica de uma boa música para a noite tocar para os dois: ele e ela. Sob a luz da meia lua, poucas estrelas aparecem, não querem atrapalhar, mas elas nunca atrapalham, enchem o ambiente de beleza. Sobre o chão do encanto, deslizam esquecidos do mundo. Ele segura firme a mão dela. Ela concentra-se nele. Tímida, consegue olhar dentro dos olhos dele. Ele a conduz pelo olhar. Toca a música mais linda naquele momento especial organizado pela saudade. Ele vê o seu reflexo no brilho dos olhos dela. Ele começa a dizer algo, mas ela interrompe, colocando as mãos, docemente, nos lábios dele e diz para concentrarem-se apenas no momento que a saudade proporcionou. A saudade foi gentil e fez a ponte. Agora, ali, estão novamente. Ao fim da canção, ele a pega no colo e mergulham em águas transparentes. Corpos molhados e frio os deixam mais pertos. Numa troca de calor, algo dito ao pé do ouvido, as estrelas brilham, a noite avança e a música lenta os deixam isolados, perdidos naquele mar de amor.

Frases do Coração

A expressão simples, em comunhão com a sensibilidade, rasga o peito da palavra e sai tateando o chão do beco de acesso à perfeição, quase inalcançável.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Tarde de domingo


O domingo vestiu-se de azul. Um brilho nos olhos que emana calor, muito calor. Um papel, uma borracha e um lápis de cor. Mas há muita coisa que não se apaga. Em um mundo de cores, a borracha não faz muito sentido. Há tantas coisas que parecem não fazer sentido, mas existem e, muitas vezes, só entendemos mais adiante.
Em uma quente tarde de domingo, mergulhar nas águas dos nossos sentimentos e emergir em um sonho. Um olhar para dentro. Pegar as palavras direto na fonte, o coração, e voltar com elas em mãos e montar a história da forma como gostaríamos que fosse. Nascemos em um quebra-cabeças e, à medida que vivemos, aprendemos a encaixar as peças. Não devemos espalhá-las mais ainda e nem chutá-las para cima.
Um lápis de cor pode pintar um dia, não é preciso um balde de tinta. O destino sugere-nos as cores e nós escolhemos. E, hoje, o dia está azul. Cada pessoa escolhe a cor que deseja pintar o seu dia. Um barulho de folhas ao vento. Elas parecem dançar. Sempre, animam-se. Mas não é coisa típica apenas de domingo. São detalhes de todos os dias, é só reparar. E a tarde já está indo e só vai porque sabe que, amanhã, voltará. A noite de domingo, gentil, fica sempre à espera da segunda-feira. Os dias correm e, talvez, possam alcançar onde precisamos chegar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Balão de Memórias


Um balão caiu no chão. Não sei de onde veio, mas caiu em território meu. Separou-se do restante.  Será se veio de muito longe? Balões carregam memórias, será se pesou demais? Interrogações a respeito de um balão que nem mesmo sabe-se a procedência. Agora, a atenção está toda voltada para ele. Chegou não sei de onde e ficou ali no chão.
Se o balão falasse, contaria tanta coisa. Tudo o que já presenciou e o motivo pelo qual se soltou. Ficou ali no canto, ainda voa, mas voa baixo. Talvez um vento mais forte o leve para outros lados. Chegou, aqui, por simples obra do acaso, e carrega consigo memórias de alguém, mas não sei de quem. Tem uma cor linda, por coincidência, é uma das cores de que mais gosto. Andou bolando por aí pelos ares, não tinha para onde ir até cair aqui. Talvez, seja melhor tirá-lo do relento, cuidadosamente, para que não estoure e guardar as memórias de alguém. Talvez, tenha saído precocemente da companhia de uma criança, uma outra adoraria tê-lo por perto. Balões é sempre bom. Não fazem mal à ninguém. Abstrae-se deles também a alegria. Se um vento forte soprar, talvez, ele se vá. Um balão de memórias vagando, vagando, vagando pelo ar.

A partida



Com o mel, enviado por ela, em mãos, ele diz que vai embora. Então, se ele deseja ir, é melhor que vá. Ela pede que vá com cuidado para não se ferir ou se perder na floresta. Ele sabe. Ele leva o amor e o coração dela. Só o tempo pode devolver. Ela sente vontade, mas não chora.
Com a partida, a inspiração chega. As confidentes dela são suas próprias palavras. Estas nunca irão partir. Nascem o tempo todo. Brotam do ar.  A natureza, agora, é a musa da arte dela. Aliás, ela sempre foi. A musa mais bela. Musa é sinônimo de tudo o que tem vida ou não, mas que inspira. Pode ser uma flor ao relento, uma noite de insônia, um pássaro, uma árvore implicando com o vento.... Enfim, são tantas coisas que trazem em si um diferente modo de falar. Há tantas coisas pelas quais podemos divagar. O amor corre nas veias, mas se ele almeja partir, não tem porque ficar. Ele apenas armou uma armadilha para ela e prendeu o seu amor. Agora, partirá.
O vento bateu na janela. O que será? Algum recado? Leve de volta, carregue consigo, ela não quer nem uma vírgula. A brisa sopra e manda para longe. Apreciemos o tempo. O céu resolveu enfeitar-se de nuvens cinzas. O vento mexe na decoração, colocando as nuvens no melhor lugar. Ficou de arrasar! Tamanho é o talento do vento. O sol, mesmo com ameaça de chuva, não se intimida, apenas sorri. Não há o que temer, só há o que apreciar. A brisa chega calmamente. É bom senti-la, ela é tranquila. Ela traz o sono que a noite escondeu. Às vezes, é até melhor sonhar. Nos sonhos, tudo parece mais colorido.

Letras de mel



Sábado com gosto de fruta. Uma fruta bem doce. Quase um mel. Chega a sede, mas é a sede pelas palavras dele. Sonha-se com elas e já acorda com saudade. São tantas palavras, mas o que há é quase indescritível. Não dá para explicar. Apenas sente-se. E sentir é um andar nas nuvens, é um mergulho em águas encantadas, é estar aí o tempo inteiro, de mãos dadas, sem que percebas. Ela nunca se foi, ele que não percebeu.
O destino, por alguma razão, deixou os dois de braços entrelaçados. Será apenas obra do acaso? Talvez, não, é muito intenso. As estrelas podem dizer. O destino prepara, mas não dá palpite. As estrelas, às vezes, somem porque não querem contar. Mas, agora, ele está, em tela, diante dela. Aquela fotografia. Ela queria ser a brisa que penteava o cabelo dele para trás. Ela soprou algo para ele, foi um beijo, mandado pelo ar. Os pássaros levam até ele. Ela adora pássaros. Os pássaros adoram ela. Ela é frágil como eles. Os pássaros revelam uma força escondida em seus cantos. A força dela encontra-se no amor por ele. Se fechas os olhos, quem dorme, é ela, dono de letras de mel.

Viagens durante a insônia

Insônia. O sono abre os olhos. O tempo passa. Olhos limpos. Pensamentos vão e vêm. Nada acontece, a insônia permanece. O vento passeia lá fora, ouço seu ruído. O céu está limpo, quase sem estrelas à mostra. Algumas palavras soltas chegam e só exteriorizo o que dá na telha. Mas a lei da palavra proibe o limite. Ela reside no deslimite. A noite é uma menina mesmo e, ainda por cima, está de birra. Esconde coisas para chamar atenção. A mente também está de olhos abertos. Ela quase não descansa. Trabalha muito.
Um bocejo durante a insônia. Pra quê? Só ilusão. O sono anda longe. Foco no amanhã, pois não quero dar muita importância a essa insônia agora. Ainda bem que os dias não são iguais. E já é sábado. Se sábado fosse uma pessoa de carne e osso, acho que seria uma pessoa sorridente. Sei lá, tenho essa impressão. Ou pode ser apenas um efeito da falta de sono. Vai ver já estou até sonhando acordada. Daqui a pouco, o vento vai começar a trazer o som do canto do galo de algum lugar. Não sei de onde vem, só sei que dá para ouvir. O canto do galo remete-nos ao interior. Manhãs de interior. São boas e calmas. Clima bom, vento brando. Uma maravilha. E a natureza, sempre presente. Sempre benvinda. E as pessoas, então, são excelentes, carismáticas, tratam todo mundo bem. A insônia está me levando a uma pequena viagem. Quase pude sentir o vento brando no meu rosto. A insônia tem dessas, pode levar-nos a qualquer lugar da nossa história. Nada demais. Só coisas simples de uma vida simples. Mas as
coisas simples carregam em si o maravilhoso.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Lua



A noite esconde o sono. Lá fora, a noite foi coberta pelas nuvens, mas descobre-se. Tempo quente, o tempo ferve. O vento foge, a chuva não se atreve. A natureza também tem os seus dilemas, os seus mistérios. Ficamos sem entender, apenas jogados nos braços dela.
Uma música. Um papel. Mas esta noite faz birra, esconde o sono e as ideias. Olho para a lua, confesso a ela, em silêncio, uma vontade. Ela entendeu. Abra a sua janela, olhe para ela. Nem um palpite. Deixe que ela conta. Abra suas mãos e receba o que ela vai te entregar. Guarde com cuidado, não é frágil, mas pode quebrar. Nem deixe esquecido no fundo da gaveta. Pensamentos não saem de perto de ti e, quando voltarem, sem desconfiar, vens com eles também.

Pincel


O pincel pintou um arco-íris. O arco-íris é a ponte encantada entre entre o mundo deles dois. Ela olha o rosto amado do outro lado. A cor dos olhos dele a enfeitiçam e as palavras recitadas a levam até ele. Ouvem as batidas do coração e entram em uma espécie de transe. Ficam alheios ao mundo e, também, ninguém os percebe, ali, explodindo de amor. Aquele mundo encantado é só deles, é um mundo que só aparece para eles. O pincel desenhou sol e chuva. Mas, estão, ali, juntos, não se importam se é chuva ou sol.
O mar, tranquilo, está bem perto, ondas pequenas chegam, a todo momento, trazendo e depositando, na areia, palavras que caíram do barco. Ela junta e forma frases para ele. O que ela sente, por ele, está além do que qualquer palavra pode dizer. De repente, chuviscos chegam trazendo pingos de amor. Ela apara com as mãos e passa no corpo dele. Ele apenas fecha os olhos e sente. Seu coração dispara. Cuidadoso, tenta proteger, do chuvisco, as frases que ganhou. Mas os pingos de amor regam cada vírgula, cada palavra. Nasce uma flor. Ela pega a flor, sente o perfume e, misturando com o seu cheiro, entrega para ele. A natureza é gentil. Tudo está a favor.
Os olhos dele refletem a imagem dela, ela faz parte dele, ele faz parte dela. Fotografam com os olhos e permitem que tudo aquilo entre em suas almas, guardam em seus corações cada grão de areia, cada toque da brisa, cada som da natureza, cada momento encantado, cada sorriso, cada palavra proferida, cada beijo dado, cada beijo recebido, cada cheiro prometido e cobrado. O pincel, com todo o seu talento, desenha com cores vivas aquele amor. Eles olham-se nos olhos e ela diz que seu coração já bate dentro dele. Eles têm um mundo, só eles dois sabem, só eles dois entendem.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ventania


Abriram a janela. Com a ventania, as palavras espalharam-se por todos os lados. Algumas voaram janela à fora. Algumas letras despencaram lá de cima e ficaram presas em galhos das árvores, outras caíram na calçada. Vogais foram lançadas nos telhados pelo vento. Consoantes, ainda tontas, quicam no chão. Muitas palavras foram levadas pela força do vento e ainda estão vagando por aí sem saber onde estão. Alguns verbos ficaram viúvos, pois perderam seus complementos, suas vidas não têm mais sentido.
As frases ficaram quase nuas. Estão mudas, perderam a música de suas almas, suas entonações. Orações foram quebradas, seus verbos foram levados de forma assustadora, pelo  sangue que jorra escorrem alguns objetos que restaram. Alguns verbos tiveram seus braços quebrados, tamanha é a força do vento, não podem fazer flexão por um tempo. Tristes, calaram suas vozes. Algumas palavras pesadas caíram direto no chão, pés desatentos pisaram em cima. Interrogações seguraram-se com seus ganchos nas janelas. Folhas de papel voaram por toda parte. Frases colidiram-se e, outras chocaram-se contra a parede e quebraram-se em pedaços. A ventania deixou tudo de ponta a cabeça. Mas novas palavras brotam, o tempo todo, do chão, do ar, da água, das flores, do nosso coração....
O nome dele está escrito na alma dela e, de lá, ventania alguma leva. O verbo amar escapou ileso, pois foi resgatado pelo coração. Está seguro e continuará amando à ele sossegado. Ele é o seu complemento. O amor, dela por ele, não tem fim...

O ponto final perdeu-se de vez, foi levado pelo vento. 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Bilhete



O sentimento está guardado a sete chaves no fundo da alma. A palavra não revela, mas foi até lá e o beijou. Parece que ele sentiu, mas não entendeu. A palavra faz a ponte, os sentimentos levam. Ela mandou um bilhete numa garrafa. As ondas traquinas pegaram e esconderam a garrafa. Ele está em pé no cais à espera de algum sinal, mas o bilhete não chegou em suas mãos. Ele pensa que ela se foi, ela pensa que ele não a ama mais. Um desencontro de pensamentos. Ele quer o coração dela, ela quer o coração dele. Um detalhe: eles já têm, mas não sabem. É o amor com suas estripulias. Ela sente um vazio e chora. Ele divaga a mil por hora. Sua lágrima escorre e pinga no esboço de um novo bilhete. Pensamentos dele fogem e batem à porta, ela abre e é invadida por eles. Uma overdose de pensamentos a invadem. Atordoada, ela sai em busca de ar. Ela sente um perfume. É de uma flor próxima, a mesma que ele havia dado a ela em um sonho. Ela lembra do momento que recebeu a flor e percebeu o quão a mão dele é macia. Ela ouve a voz dele recitando lindas palavras. Aquele som está grudado em sua mente e em seu coração. Uma inundação de lembranças e sonhos, um nova lágrima ameaça chegar. Eles nunca se viram fora dos sonhos e devaneios, mas estão sempre próximos em mente e alma. Ela vai terminar de escrever o novo bilhete.  Uma nova sensação, uma nova esperança de que seja entregue em mãos. Um pássaro pode levar o bilhete pelo ar, livre de ondas traquinas. Mas no ar, há gangues de ventos rebeldes. E, agora, o que fazer? Mesmo assim, ela enviou. Se ele receber, talvez, um dia, possa responder.

A folha


A folha passeia com o vento. Seu tempo, na árvore, terminou. Foi arrancada pelo seu destino. Ela caiu. Ficará esquecida até não sobrar mais nada. Ela já teve um verde vivo. Morou no alto da árvore. Era um local muito bom. Agora, está caída, esquecida. Pode-se fazer algo. O pincel mudou seu tom. Agora, ela é viva novamente, mas viva e esquecida no chão. Antes, juntamente com outras folhas, dava forma a uma bela árvore. Mas ela era apenas mais uma entre tantas outras folhas. Enquanto que a árvore era uma só. A folha não era notada porque havia inúmeras ao seu redor. Agora, a atenção está voltada apenas para aquela folha, ela tornou-se especial e, desprendida, viverá pouco.
O vento que a trouxe poderá levá-la a um outro lugar. Ela está em outra página. O pincel não a perde de vista. Ela está à beira de um rio. Há muitas outras árvores, inúmeras folhas. Mas é aquela, no chão, que interessa. Ela vaga pelos lugares auxiliada pelo vento. O pincel vive por ela agora. Ele não permite que
ela se vá. Caiu um pingo de água doce sobre ela. Não tem problema, a brisa secará. A folha tem um vento amigo e um pincel. Está tendo uma nova história num mundo de cores. Não faz falta para a árvore que fez parte. Mas é tudo para um par de olhos neste momento. Isso basta. É o início do resto de seus dias. Agora, os dias, fora daquela árvore, são dela. Dança, no ar, com o vento. A alegria completa em seus últimos dias. O pincel tem talento, pinta lindos dias para ela. Mas o vento rebelde chegou e soprou. A folha caiu na água e a correnteza a levou. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Imaginação

Imaginação. Pensamentos desdobram-se para estarem perto, conseguem, enfim, de mãos dadas, porém corpos distantes. O pensamento grudou na foto. O coração desmaia de amor. Tudo perde o sentido. Fotografias permitem o encontro. Não há desencontro. Um mergulho na cor daqueles olhos. Cheiro de praia. Sentido com um cheiro no pescoço. É de arrepiar. A fotografia descreve o lugar. Um paraíso que acolhe um pecado. Um cheiro bem dado.  O sol espia pelos espaços entre as folhas da palmeira. A natureza fotografa. Foto perfeita, é como se fizessem parte do local. Não há o que falar. Palavras descansam na mente enquanto a boca ganha um beijo. O vento leva, até eles, o canto de algum pássaro. Tudo combina. Abrem os olhos, o beijo termina. Recomeça. Um gosto de mel. O mundo todo esvaiu-se no momento do beijo. Há somente eles no mundo inteiro. O mundo inteiro é aquele pedaço do paraíso. Agora, são eles dois apenas. Estão nas mãos do coração. Estão conectados. O amor sussurra. Imaginação. Um paraíso. Uma eternidade. Uma obra de arte.

domingo, 27 de novembro de 2011

A porta de vidro



Acolá. Em lados opostos do sonho. Esticam as mãos, mas o sonho é largo. Não conseguem. No meio, há uma porta de vidro fechada. Eles alcançam a porta, mas não conseguem abri-la. O vidro não pode quebrar. Ele leu os lábios dela. Ele mandou um pensamento para ela, o vento ajudou e levou pela brecha da porta entregando o pensamento nas mãos dela. Se a porta abrir, o sonho acaba. A porta de vidro é o limite entre o sonho e a realidade. Não há o que fazer, apenas sonhar para manterem-se acordados. Um suspiro, uma lágrima, duas pessoas, duas vontades iguais. Estão bem próximos, um de cada lado, mas há a porta de vidro entre eles. As mãos dele deslizam pelo vidro, as dela também. O dia está quase raiando. Eles sabem que vão acordar a qualquer momento. Eles choram. Preferem o sonho à realidade longe um do outro. De repente, a porta abriu. Eles desapareceram, eles acordaram. A realidade os separou mais ainda. Lá, permaneceu a lembrança e a saudade lado a lado.

Sem palavras



A ponta do lápis quebrou ao escrever a primeira palavra. Lápis insensível. Mas o que deve ser exteriorizado está escrito nas estrelas. A lua me contou. Céu limpo, estrelas sumiram. Elas não queriam dizer. A mente não suplica, ela já sabe, a mente, astuta, está além de qualquer mistério. Palavra incompleta, sentença entendida.
Muda-se o lápis, muda-se a cor. Azul, amarelo. Verde? Ok. A natureza, sempre por perto. Uma cor que não se apaga. Novo lápis, nova ponta.  Não há limites. Algumas palavras caminham pelas ruas do desatino até chegarem ao deslimite, onde residem, de esquina com todas as possibilidades.
 Estrelas aparecem. Resolveram contar??? Não é mais preciso. A mente fez o tabalho. Novo lápis. Pontas firmes não calam mais as letras. Letras falam, lápis consente. Mas, às vezes, palavras incompletas dizem muito. É charme ou capricho quando o lápis implica. O papel rasgou. Texto completo quase dividido em dois. Parece um complô. Poderia soltar, no ar, o que restou. Chegaria em algum lugar, mas seria apenas um pedaço de papel no chão. Desilusão. Quando a pétala
desprende-se da flor, a frieza de muitos olhares não a enxerga mais ou é vista apenas como algo jogado no chão. Mas a pétala continua sendo pétala, a não ser que ela vire pó. Mas, mesmo assim, ainda é uma pétala que, um dia, fez parte de uma flor. Mudou a palavra, mas a essência, não. Sempre a palavra. A palavra e seus mistérios. Dizem tudo. Sem palavras!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Caneta e papel


Óculos, papel, caneta, olhos fixos. Pensamentos vão e vêm. Idas e vindas. Mas o corpo permanece inerte, ali, sentado. A viagem segue. Param nas gares. Intervalos entre pensamentos. O horizonte faz a ponte. Os olhos estão atraídos pelo que há além dele. Um segredo. Olhos permanecem calados. As nuvens tentam esconder. Pensamentos voltam e reunem-se. Concentram-se no papel. Descrevem o que viram além do horizonte. A caneta dita e, depois, emudece. Lauda incompleta. As nuvens desistem. Deixam à mostra. Gosto de tinta. Pensamentos estão lá novamente. Não perdem o foco. Imaginação afoita. Não olha para trás. Está lá na frente. Além do horizonte. Ele a viu. Flores ao vento. Ele a segue. Fogos de artifício. Ele não para de pensar. Pensamentos velozes. Descobrem cada detalhe. Ela borrifou seu perfume no ar. Ele sentiu. Ela é encantada. Ele, de carne e osso. Amar. Verbo colorido. Caneta e papel. Pensamentos completam a lauda. Ele a desenha. Sua mente ainda está aberta, mas a janela fecha-se. O horizonte desaparece. Ele a leva consigo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Belezas Naturais



As belezas naturais ficam fazendo pose o tempo inteiro. Sabem que são esplêndidas e desejadas. Necessitam ser fotogradas. Enfeitiçantes, enfeitiçados de olhos arregalados, caprichos atendidos. Maravilhas da natureza. Maravilhosas por natureza.

Amanhecer




 A noite, docemente, acorda o dia. O dia abre os olhos. Ouve-se os primeiros gorjeios, cheios de entusiasmo para com o novo dia, ao mesmo tempo, são sons que transmitem o silêncio de um amanhecer. Presenciar o despertar do dia é um flagrante valioso. São coisas simples que trazem em si o maravilhoso. Amanhecer em comunhão com o tempo bom, o dia sorri. Esperança e sonhos brotam do chão por todos os lugares. Ficam, o tempo todo, girando em torno de nós, como girassóis contemplando o sol. Girassóis que nunca serão arrancados, sonhos que estão arraigados no chão, o vento nunca os levará embora. Agora, a noite dorme para que o dia cuide de nós. 



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Noite



A brisa quente da tarde cedeu lugar à brisa amena da noite. A noite chega mansa e, gentil, limpa nossos olhos e permite-nos olhar para lá de seus detalhes. Cada vez que ela chega, é como se nunca a tivéssemos visto. Os olhos procuram por cada pedacinho dela. É de ficar parado mesmo olhando, aparentemente, para o nada, quando, na verdade, estamos olhando para tudo. Ela também olha para nós toda cheia de graça. É de ficar pasmo mesmo! Ela escancara nossas portas e janelas, grita, com seu silêncio ensurdecedor, em nossos ouvidos e faz de nós seus prisioneiros. Eu já me rendi a esse desatino há muito tempo. Ela tem a delicadeza escondida em sua força. Mas, às vezes, ela estapeia minha sensibilidade porque, na realidade, ela não quer que esta vá embora.




domingo, 20 de novembro de 2011

Domingo


Domingo. Um dia que possui o descanso ou a distração correndo em suas veias. Passa num piscar de olhos e, quando nos damos conta, ele entrega a chave da semana para a segunda-feira. Quando esta abre a porta, a rotina já está à  sua espera. O domingo passou, mas ele sempre volta, às vezes, de mãos vazias, outras vezes, oferecendo o melhor que pode. Quando ele passa, deixa saudades e, ao mesmo tempo, o conforto de que voltará logo.
O domingo é um dia brincalhão, gosta de rolar na areia da praia e apostar corrida com as ondas até não resistir à magia das águas e nadar como um peixinho. Às vezes, ele decide ir ao cinema ou ao parque ou reunir com os amigos. Ele também adora dedicar-se à suas leituras. Enfim, são tantos lugares, tantas coisas diferentes e ele sabe o que deve fazer. São tantas pessoas que passam por ele. Uma mistura de gestos, de ações, de gostos, de formas, de pensamentos, de sensações.... Diferenças acabam igualando-se num mesmo espaço durante alguns instantes.
O domingo é criança, é jovem, é senhor ou senhora e ele cumpre bem a sua função antes de bater à porta da segunda-feira para entregar-lhe a chave.

sábado, 19 de novembro de 2011

Não há montanha alta o suficiente


 A tarde foi embora repleta de sonhos, assim como uma árvore carregada de frutos. Tons avermelhados recepcionaram a noite que, como sempre, chega exuberante. Exuberante pelo simples fato de ser noite. Uma mulher simples que quase não se preocupa com vaidade.
Os sonhos que foram com a tarde, voltaram com a noite. É um ciclo diário. Os sonhos repousam na vontade. Esta evoluirá para o estágio da concretização quando o possível alcançar o provável em alguma curva. Talvez haja uma curva ali na frente, mas, por enquanto, os dois ainda caminham em linha reta. O destino é rígido, não nos dá dica alguma, não revela nem mesmo uma vírgula do que ele sabe. O destino jogou a curiosidade pela janela. Caída no chão, ela achou melhor aliar-se à vontade para acelerar o encontro entre o possível e o provável, pois o caminho é longo e ainda há os tropeços.
O tempo e o destino são inseparáveis, os dois fazem um trabalho perfeito. Há quem reclame, mas não pode mudar. O tempo permite-nos parar para apreciar as belas paisagens ao longo do caminho e, com isso, a ansiedade sempre acaba perdendo-se nos passeios pelo bosque. É melhor ela ficar por lá. As belezas naturais são revigorantes, embora haja também as montanhas, mas não há montanha alta o suficiente que nos impeça de enxergar onde iremos passar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Balões



Balões soltos no ar. Foram enfeitar o céu e alegrar as nuvens, o céu está em festa. Eles dispersam-se levando cores e alegria aos quatro cantos. Mas são submissos ao vento. O vento comanda a turma e dita as regras. Eles são levados pra qualquer lugar e não desanimam se chegarem a um lugar qualquer. Para eles, não importa onde vão chegar. Eles permitem ser levados porque a natureza deles é essa, possuem a alegria em sua essência e precisam ser espalhados, pois cada pessoa merece enxergar um espetáculo de alegria e cores vivas diante de seus olhos.
Balões também são cheios de lembranças de tempos que gargalhávamos até a barriga doer, de correr, de pular, de brincar, de brilho nos olhos, de ser feliz, de ser criança. Os balões refletem momentos importantes em nossa vida. Às vezes, ficamos entorpecidos por lembranças. E os balões são como links que nos remetem aos momentos que não nos permitem esquecer e que, sempre, farão parte de nós. Nada tem a ver com exuberância, o simples torna-se grandioso, basta a forma como olhamos e os balões testemunharam, testemunham e testemunharão a importância desses momentos. Passado, presente, futuro e a certeza de que nunca falharão e de que, sempre, haverá um balão com memórias para ser entregue em nossas mãos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Canções e Olhares



A música chega invadindo a alma, disparando pensamentos e atiçando emoções. Olhares encontram-se e vestem-se com um mesmo ritmo. A música estende a mão e puxa para dançar. A melodia sinaliza consentindo o primeiro passo. Mentes concentradas, corpos embalam-se e tornam-se mais leves a cada acorde. O momento é mágico, sensações afloram. Isolam-se no meio do salão, mas, de repente, o cenário é pintado de cores variadas. A bela canção os transportou a um novo lugar. Árvores coloridas fazem o ambiente chegar ao esplendor de tanta beleza. Folhas caem delicadamente. O chão está um carnaval de cores. O canto dos pássaros confunde-se com os acordes que conduzem a dança. A brisa acalenta as folhas, elas parecem enfeitiçadas pelo som. É o tempo que está feliz e deu ao sol um sorriso, orientou o vento a agir com cautela e precisão e pediu ao céu que vestisse sua melhor roupa, ele obedeceu, o azul é estonteante, poucas nuvens, o céu usou poucos acessórios durante o dia, ele prefere guardá-los para a noite. A noite é tão jovem.
O casal segue deslizando em passos suaves no meio do salão, mas em suas mentes, reina aquele lugar encantado. A canção invadiu suas almas, encheu aquele momento de tons variados e o desejo de não ter fim. A canção muda, os passos são outros, mas a sintonia é perfeita e a conexão é total. A noite chega esbanjando charme e usando acessórios de brilho intenso, as lacunas são preenchidas, o cansaço não tem vez, os corpos bailam, bailam e bailam livremente. O cavalheiro sussura o refrão para a dama, ela derrete-se, mas não perde o compasso, seus olhares descansam um no outro, ela enxerga o romantismo tímido nos olhos dele, ele enxerga a doçura nos olhos dela. Eles possuem-se dentro do olhar um do outro. O jogo de sedução ganha ritmo, sucumbem às emoções, para que, assim, a noite não tenha fim. A lua acompanha tudo, pois havia combinado com a noite, aquele momento perfeito.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sonhos




 Ele tinha as palavras mais doces para ela, ditas ao pé do ouvido. Ela sempre sonhava, eram sonhos mais reais que a própria realidade. Ela permanecia imersa nessa outra dimensão, pois não queria que ele soltasse sua mão. Os sonhos eram seus esconderijos secretos, e, neles, desfrutavam cada segundo de carinho e ternura. Cada vez que acordava, era como se fossem infinitos rompimentos, ela sentia o vazio de não tê-lo por perto, seus olhos ficavam submersos em águas não piedosas, sua face carregava a ânsia de um sonho a mais. Uma realidade que revela um sonho e um sonho que almeja a realidade. Paralelos que se abraçam continuamente. Dormir para viver, para sentir o que, ao despertar, desaparece como num passe de mágica. Contradições que se mostram dependentes e ávidas por mais, mais e mais.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Brilhantes




Podem estar em qualquer parte ao longo do nosso caminho. Mas estão lá, eles existem e, quando nos damos conta, de alguma forma, aparecem. Não tropeçamos neles, eles que tropeçam em nós. Brilhantes são pelo que fazem, pela energia maravilhosa que possuem dentro de si, brilhantes são as pessoas que aparecem em nossas vidas, nem que seja apenas para dar-nos um sorriso sincero ou estender a mão a quem precisa. Não importa o que fazem, o importante é o bem que transmitem através de simples atitudes. Cada qual com seu brilho especial e o poder que possuem de tornar um dia melhor. Estão sempre construindo pontes que ligam seus corações a muitos outros corações. Criam conexões de espírito para, assim, fazermos parte deles também. Esses seres brilhantes não escolhem a quem vão se conectar, não vêem cara, apenas usam as pontes para propagar o bem, para fazer o dia de alguém melhor, até um sorriso sincero e amoroso pode fazer milagres. Alguns brilhantes não têm ideia da sua natureza especial e transmitem o maravilhoso sem perceberem. Brilhantes são pessoas comuns que respiram simplicidade, humildade e honestidade.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Frases do Coração


O sol pede passagem entre nuvens carregadas. As nuvens permitem que ele mostre seu brilho. Por fim, aparecem de mãos dadas.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Floresta da Paixão


   As batidas do coração confessam para a mente, o amor. O coração comanda, a mente obedece, o corpo estremece. As mãos ficam frias e trêmulas, parece que tudo esfria por dentro, mas o coração pega fogo de tanta paixão. Pensamentos viajam, mas sempre chegam ao mesmo lugar. Se tentar fugir, cairá num labirinto, armadilha do amor e, lá, ficará até o momento que o tempo permitir. A alma padece de tanto querer e sai em busca de quem ela tanto deseja encontrar.
  No caminho, as pétalas indicam a direção. A melodia suave do vento acariciando as folhas junta-se ao aroma das flores e acalma a emoção. Mente e alma despem-se da ansiedade e mergulham nas águas dos sonhos. Cachoeiras de sentimentos jorram links que trazem de volta à realidade. A mente preferiu sonhar aguardando a alma que percorre, tonta de paixão, o restante do caminho. Pássaros cochicham que não muito longe está quem a alma almeja abraçar. A alma tropeça, mas é segurada pelo desejo. Ele a protege desde o início deste anseio. A alma é determinada e corajosa, não pensou em desistir em nenhum momento. Ela, agora, atravessa uma floresta de paixão. Ela colhe e alimenta-se com os frutos das árvores do amor e bebe sucos naturais feitos de devaneios. O destino não deixa que ela se perca na imensidão dessa floresta. Ele segura sua mão. Flores de boas sensações, folhas de carinho, árvores de emoções, aves de esperança, cenário de felicidade, tudo isso faz parte daquela floresta.
  Ao sair da floresta, ainda deslumbrada com o cenário de sonhos apaixonados, as batidas do seu coração aceleram, olhos limpos mal podem acreditar quando o vêem chegar. A mente acorda do sonho. Finalmente, o amado à sua frente. Mentes interligadas, almas entrelaçadas e corações à mil. Com a melodia das batidas do coração, olhares perdem-se, lábios tocam-se, mentes e almas tornam-se uma só.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A viagem



 A vida passa, os caminhos são longos, a paisagem muda, mas o sol sempre aparece e nunca para de brilhar por nós onde quer que estejamos. A beleza dos campos da vida extrapola o quase infinito.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Frases do Coração


Os pássaros respiram fragilidade, mas seus cantos expelem uma força singular. Não basta escutar para perceber, tem que ouvir.

Frases do Coração


Depois que as nuvens choram, o sol sempre volta a sorrir.

Frases do Coração


"E, na calmaria da manhã, surges como um vento brando soprando em nossos ouvidos toda humilde sapiência"