terça-feira, 29 de novembro de 2011

Bilhete



O sentimento está guardado a sete chaves no fundo da alma. A palavra não revela, mas foi até lá e o beijou. Parece que ele sentiu, mas não entendeu. A palavra faz a ponte, os sentimentos levam. Ela mandou um bilhete numa garrafa. As ondas traquinas pegaram e esconderam a garrafa. Ele está em pé no cais à espera de algum sinal, mas o bilhete não chegou em suas mãos. Ele pensa que ela se foi, ela pensa que ele não a ama mais. Um desencontro de pensamentos. Ele quer o coração dela, ela quer o coração dele. Um detalhe: eles já têm, mas não sabem. É o amor com suas estripulias. Ela sente um vazio e chora. Ele divaga a mil por hora. Sua lágrima escorre e pinga no esboço de um novo bilhete. Pensamentos dele fogem e batem à porta, ela abre e é invadida por eles. Uma overdose de pensamentos a invadem. Atordoada, ela sai em busca de ar. Ela sente um perfume. É de uma flor próxima, a mesma que ele havia dado a ela em um sonho. Ela lembra do momento que recebeu a flor e percebeu o quão a mão dele é macia. Ela ouve a voz dele recitando lindas palavras. Aquele som está grudado em sua mente e em seu coração. Uma inundação de lembranças e sonhos, um nova lágrima ameaça chegar. Eles nunca se viram fora dos sonhos e devaneios, mas estão sempre próximos em mente e alma. Ela vai terminar de escrever o novo bilhete.  Uma nova sensação, uma nova esperança de que seja entregue em mãos. Um pássaro pode levar o bilhete pelo ar, livre de ondas traquinas. Mas no ar, há gangues de ventos rebeldes. E, agora, o que fazer? Mesmo assim, ela enviou. Se ele receber, talvez, um dia, possa responder.

Nenhum comentário:

Postar um comentário