terça-feira, 29 de novembro de 2011

A folha


A folha passeia com o vento. Seu tempo, na árvore, terminou. Foi arrancada pelo seu destino. Ela caiu. Ficará esquecida até não sobrar mais nada. Ela já teve um verde vivo. Morou no alto da árvore. Era um local muito bom. Agora, está caída, esquecida. Pode-se fazer algo. O pincel mudou seu tom. Agora, ela é viva novamente, mas viva e esquecida no chão. Antes, juntamente com outras folhas, dava forma a uma bela árvore. Mas ela era apenas mais uma entre tantas outras folhas. Enquanto que a árvore era uma só. A folha não era notada porque havia inúmeras ao seu redor. Agora, a atenção está voltada apenas para aquela folha, ela tornou-se especial e, desprendida, viverá pouco.
O vento que a trouxe poderá levá-la a um outro lugar. Ela está em outra página. O pincel não a perde de vista. Ela está à beira de um rio. Há muitas outras árvores, inúmeras folhas. Mas é aquela, no chão, que interessa. Ela vaga pelos lugares auxiliada pelo vento. O pincel vive por ela agora. Ele não permite que
ela se vá. Caiu um pingo de água doce sobre ela. Não tem problema, a brisa secará. A folha tem um vento amigo e um pincel. Está tendo uma nova história num mundo de cores. Não faz falta para a árvore que fez parte. Mas é tudo para um par de olhos neste momento. Isso basta. É o início do resto de seus dias. Agora, os dias, fora daquela árvore, são dela. Dança, no ar, com o vento. A alegria completa em seus últimos dias. O pincel tem talento, pinta lindos dias para ela. Mas o vento rebelde chegou e soprou. A folha caiu na água e a correnteza a levou. 

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