Acolá. Em lados opostos do sonho. Esticam as mãos, mas o sonho é largo. Não conseguem. No meio, há uma porta de vidro fechada. Eles alcançam a porta, mas não conseguem abri-la. O vidro não pode quebrar. Ele leu os lábios dela. Ele mandou um pensamento para ela, o vento ajudou e levou pela brecha da porta entregando o pensamento nas mãos dela. Se a porta abrir, o sonho acaba. A porta de vidro é o limite entre o sonho e a realidade. Não há o que fazer, apenas sonhar para manterem-se acordados. Um suspiro, uma lágrima, duas pessoas, duas vontades iguais. Estão bem próximos, um de cada lado, mas há a porta de vidro entre eles. As mãos dele deslizam pelo vidro, as dela também. O dia está quase raiando. Eles sabem que vão acordar a qualquer momento. Eles choram. Preferem o sonho à realidade longe um do outro. De repente, a porta abriu. Eles desapareceram, eles acordaram. A realidade os separou mais ainda. Lá, permaneceu a lembrança e a saudade lado a lado.

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