Palavras doces, puro mel. O verbo é o néctar. Matéria-prima do mel que banha as orações e escorre pelos espaços entre as letras e as pausas das vírgulas. Palavras digeridas por olhos famintos. A sede subsequente é por mais. Pula-se em águas profundas. Submersa, a sede cede. Debaixo d'água, imersa em um silêncio gritante, por meros instantes, ela pensou ter visto a imagem dele. É a imaginação piscando. A imaginação cria formas. Ela perde a noção do tempo. Volta pra cima, impulsos a fazem bailar enquanto volta à superfície. Ela vê o farol. O farol indica a direção.
Pensamentos voam até lá, de olhos abertos. Não querem perder um detalhe do rosto dele. A mente irá fotografar, a alma internalizará. Se a saudade chegar, ela terá a imagem colorida dele em mente. O vento bate forte. Nada levará. Nenhuma palavra cairá na água e nem ficará presa em correntes de âncoras por tempos infindáveis no fundo do mar.
Ele está, lá, com um embrulho em mãos, à espera dela. Quando ela chegou, ele entregou o embrulho para ela. Ao desenrolar, ela viu que eram tão lindas e verdadeiras as palavras que ele deu à ela. Ele pediu que guardasse aquelas palavras com cuidado e que as deixasse florescer. Serão guardadas no lugar mais seguro, no coração, disse ela. Ele sorriu agradecido. As palavras são links para nossos sonhos, disse ele. Suas palavras serão bem cuidadas, disse ela e, em seguida, ela agradeceu e deu-lhe um beijo na mão.
Os pensamentos dela voltam até ela, mergulhando em águas claras, chegam encharcados, deixando molhados os olhos dela.

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