Tarde azul que se foi. A brisa trouxe o canto do pássaro. O canto misturou-se ao barulho do vento. É a natureza viva falando através de uma brisa. Árvore carregada, folhas ao vento. Pela cor, sente-se o gosto da fruta madura. Era o colorido de uma simples tarde. Mas a tarde recolheu-se para a noite chegar. Um ciclo perfeito. Pontinhos grandiosos lançam seus brilhos sobre nós. O brilho da lua não permite que sonhos percam-se.
Pensamentos vagam pelo tempo bom. Chamam a inspiração que chega devagar. Palavras simples, papel em branco. A ponta do lápis não quebra, a borracha perdeu-se no vale da imaginação. Vogais cercadas por consoantes. Mas as consoantes não imploram pelas vogais, pois já são unidas, são irmãs. Palavras captam sentimentos, pensamentos, falam por vozes caladas. Olham adiante, olham através, olham o fundo da alma. São atemporais. Não se perdem. Estica-se a mão e toca-se o coração da palavra. Ela desenrola o esboço da arte no papel.

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