sábado, 10 de dezembro de 2011

Diálogo incompleto



Papel, em pedaços. Travessões de um diálogo mudo. Encolhem-se diante da gargalhada brutal do tempo. Palavras escorregam pelas falhas propositais do papel. Papéis rasgados, palavras quebradas. Períodos defasados. Palavras pulam nas mãos, mas o destino, o papel, está em pedaços.
No vidro da janela, uma figura. É a lua que tateia constatando se não está quebrado para que não haja pedaços ao vento. A palavra respira. Pequenas correntes de ar, mas, não, ventania. A palavra não vinga onde não há água e nem ar. A natureza cuida e preserva. Nascente de águas quentes escondida no coração. O afluente, na mente. Confluência da imaginação.
A estrela chuta inspiração. Um chute rasteiro. Foi aparada pela mão. Mãos molhadas pelos pingos de nuvens derretidas. Palavras nascem borradas. Uma brisa que seca exibindo borrados. Borrados de um diálogo incompleto em um pedaço de papel.

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