O sentimento está guardado a sete chaves no fundo da alma. A palavra não revela, mas foi até lá e o beijou. Parece que ele sentiu, mas não entendeu. A palavra faz a ponte, os sentimentos levam. Ela mandou um bilhete numa garrafa. As ondas traquinas pegaram e esconderam a garrafa. Ele está em pé no cais à espera de algum sinal, mas o bilhete não chegou em suas mãos. Ele pensa que ela se foi, ela pensa que ele não a ama mais. Um desencontro de pensamentos. Ele quer o coração dela, ela quer o coração dele. Um detalhe: eles já têm, mas não sabem. É o amor com suas estripulias. Ela sente um vazio e chora. Ele divaga a mil por hora. Sua lágrima escorre e pinga no esboço de um novo bilhete. Pensamentos dele fogem e batem à porta, ela abre e é invadida por eles. Uma overdose de pensamentos a invadem. Atordoada, ela sai em busca de ar. Ela sente um perfume. É de uma flor próxima, a mesma que ele havia dado a ela em um sonho. Ela lembra do momento que recebeu a flor e percebeu o quão a mão dele é macia. Ela ouve a voz dele recitando lindas palavras. Aquele som está grudado em sua mente e em seu coração. Uma inundação de lembranças e sonhos, um nova lágrima ameaça chegar. Eles nunca se viram fora dos sonhos e devaneios, mas estão sempre próximos em mente e alma. Ela vai terminar de escrever o novo bilhete. Uma nova sensação, uma nova esperança de que seja entregue em mãos. Um pássaro pode levar o bilhete pelo ar, livre de ondas traquinas. Mas no ar, há gangues de ventos rebeldes. E, agora, o que fazer? Mesmo assim, ela enviou. Se ele receber, talvez, um dia, possa responder.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
A folha
A folha passeia com o vento. Seu tempo, na árvore, terminou. Foi arrancada pelo seu destino. Ela caiu. Ficará esquecida até não sobrar mais nada. Ela já teve um verde vivo. Morou no alto da árvore. Era um local muito bom. Agora, está caída, esquecida. Pode-se fazer algo. O pincel mudou seu tom. Agora, ela é viva novamente, mas viva e esquecida no chão. Antes, juntamente com outras folhas, dava forma a uma bela árvore. Mas ela era apenas mais uma entre tantas outras folhas. Enquanto que a árvore era uma só. A folha não era notada porque havia inúmeras ao seu redor. Agora, a atenção está voltada apenas para aquela folha, ela tornou-se especial e, desprendida, viverá pouco.
O vento que a trouxe poderá levá-la a um outro lugar. Ela está em outra página. O pincel não a perde de vista. Ela está à beira de um rio. Há muitas outras árvores, inúmeras folhas. Mas é aquela, no chão, que interessa. Ela vaga pelos lugares auxiliada pelo vento. O pincel vive por ela agora. Ele não permite que ela se vá. Caiu um pingo de água doce sobre ela. Não tem problema, a brisa secará. A folha tem um vento amigo e um pincel. Está tendo uma nova história num mundo de cores. Não faz falta para a árvore que fez parte. Mas é tudo para um par de olhos neste momento. Isso basta. É o início do resto de seus dias. Agora, os dias, fora daquela árvore, são dela. Dança, no ar, com o vento. A alegria completa em seus últimos dias. O pincel tem talento, pinta lindos dias para ela. Mas o vento rebelde chegou e soprou. A folha caiu na água e a correnteza a levou.
O vento que a trouxe poderá levá-la a um outro lugar. Ela está em outra página. O pincel não a perde de vista. Ela está à beira de um rio. Há muitas outras árvores, inúmeras folhas. Mas é aquela, no chão, que interessa. Ela vaga pelos lugares auxiliada pelo vento. O pincel vive por ela agora. Ele não permite que ela se vá. Caiu um pingo de água doce sobre ela. Não tem problema, a brisa secará. A folha tem um vento amigo e um pincel. Está tendo uma nova história num mundo de cores. Não faz falta para a árvore que fez parte. Mas é tudo para um par de olhos neste momento. Isso basta. É o início do resto de seus dias. Agora, os dias, fora daquela árvore, são dela. Dança, no ar, com o vento. A alegria completa em seus últimos dias. O pincel tem talento, pinta lindos dias para ela. Mas o vento rebelde chegou e soprou. A folha caiu na água e a correnteza a levou.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Imaginação
Imaginação. Pensamentos desdobram-se para estarem perto, conseguem, enfim, de mãos dadas, porém corpos distantes. O pensamento grudou na foto. O coração desmaia de amor. Tudo perde o sentido. Fotografias permitem o encontro. Não há desencontro. Um mergulho na cor daqueles olhos. Cheiro de praia. Sentido com um cheiro no pescoço. É de arrepiar. A fotografia descreve o lugar. Um paraíso que acolhe um pecado. Um cheiro bem dado. O sol espia pelos espaços entre as folhas da palmeira. A natureza fotografa. Foto perfeita, é como se fizessem parte do local. Não há o que falar. Palavras descansam na mente enquanto a boca ganha um beijo. O vento leva, até eles, o canto de algum pássaro. Tudo combina. Abrem os olhos, o beijo termina. Recomeça. Um gosto de mel. O mundo todo esvaiu-se no momento do beijo. Há somente eles no mundo inteiro. O mundo inteiro é aquele pedaço do paraíso. Agora, são eles dois apenas. Estão nas mãos do coração. Estão conectados. O amor sussurra. Imaginação. Um paraíso. Uma eternidade. Uma obra de arte.
domingo, 27 de novembro de 2011
A porta de vidro
Acolá. Em lados opostos do sonho. Esticam as mãos, mas o sonho é largo. Não conseguem. No meio, há uma porta de vidro fechada. Eles alcançam a porta, mas não conseguem abri-la. O vidro não pode quebrar. Ele leu os lábios dela. Ele mandou um pensamento para ela, o vento ajudou e levou pela brecha da porta entregando o pensamento nas mãos dela. Se a porta abrir, o sonho acaba. A porta de vidro é o limite entre o sonho e a realidade. Não há o que fazer, apenas sonhar para manterem-se acordados. Um suspiro, uma lágrima, duas pessoas, duas vontades iguais. Estão bem próximos, um de cada lado, mas há a porta de vidro entre eles. As mãos dele deslizam pelo vidro, as dela também. O dia está quase raiando. Eles sabem que vão acordar a qualquer momento. Eles choram. Preferem o sonho à realidade longe um do outro. De repente, a porta abriu. Eles desapareceram, eles acordaram. A realidade os separou mais ainda. Lá, permaneceu a lembrança e a saudade lado a lado.
Sem palavras
A ponta do lápis quebrou ao escrever a primeira palavra. Lápis insensível. Mas o que deve ser exteriorizado está escrito nas estrelas. A lua me contou. Céu limpo, estrelas sumiram. Elas não queriam dizer. A mente não suplica, ela já sabe, a mente, astuta, está além de qualquer mistério. Palavra incompleta, sentença entendida.
Muda-se o lápis, muda-se a cor. Azul, amarelo. Verde? Ok. A natureza, sempre por perto. Uma cor que não se apaga. Novo lápis, nova ponta. Não há limites. Algumas palavras caminham pelas ruas do desatino até chegarem ao deslimite, onde residem, de esquina com todas as possibilidades.
Estrelas aparecem. Resolveram contar??? Não é mais preciso. A mente fez o tabalho. Novo lápis. Pontas firmes não calam mais as letras. Letras falam, lápis consente. Mas, às vezes, palavras incompletas dizem muito. É charme ou capricho quando o lápis implica. O papel rasgou. Texto completo quase dividido em dois. Parece um complô. Poderia soltar, no ar, o que restou. Chegaria em algum lugar, mas seria apenas um pedaço de papel no chão. Desilusão. Quando a pétala desprende-se da flor, a frieza de muitos olhares não a enxerga mais ou é vista apenas como algo jogado no chão. Mas a pétala continua sendo pétala, a não ser que ela vire pó. Mas, mesmo assim, ainda é uma pétala que, um dia, fez parte de uma flor. Mudou a palavra, mas a essência, não. Sempre a palavra. A palavra e seus mistérios. Dizem tudo. Sem palavras!
Muda-se o lápis, muda-se a cor. Azul, amarelo. Verde? Ok. A natureza, sempre por perto. Uma cor que não se apaga. Novo lápis, nova ponta. Não há limites. Algumas palavras caminham pelas ruas do desatino até chegarem ao deslimite, onde residem, de esquina com todas as possibilidades.
Estrelas aparecem. Resolveram contar??? Não é mais preciso. A mente fez o tabalho. Novo lápis. Pontas firmes não calam mais as letras. Letras falam, lápis consente. Mas, às vezes, palavras incompletas dizem muito. É charme ou capricho quando o lápis implica. O papel rasgou. Texto completo quase dividido em dois. Parece um complô. Poderia soltar, no ar, o que restou. Chegaria em algum lugar, mas seria apenas um pedaço de papel no chão. Desilusão. Quando a pétala desprende-se da flor, a frieza de muitos olhares não a enxerga mais ou é vista apenas como algo jogado no chão. Mas a pétala continua sendo pétala, a não ser que ela vire pó. Mas, mesmo assim, ainda é uma pétala que, um dia, fez parte de uma flor. Mudou a palavra, mas a essência, não. Sempre a palavra. A palavra e seus mistérios. Dizem tudo. Sem palavras!
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Caneta e papel
Óculos, papel, caneta, olhos fixos. Pensamentos vão e vêm. Idas e vindas. Mas o corpo permanece inerte, ali, sentado. A viagem segue. Param nas gares. Intervalos entre pensamentos. O horizonte faz a ponte. Os olhos estão atraídos pelo que há além dele. Um segredo. Olhos permanecem calados. As nuvens tentam esconder. Pensamentos voltam e reunem-se. Concentram-se no papel. Descrevem o que viram além do horizonte. A caneta dita e, depois, emudece. Lauda incompleta. As nuvens desistem. Deixam à mostra. Gosto de tinta. Pensamentos estão lá novamente. Não perdem o foco. Imaginação afoita. Não olha para trás. Está lá na frente. Além do horizonte. Ele a viu. Flores ao vento. Ele a segue. Fogos de artifício. Ele não para de pensar. Pensamentos velozes. Descobrem cada detalhe. Ela borrifou seu perfume no ar. Ele sentiu. Ela é encantada. Ele, de carne e osso. Amar. Verbo colorido. Caneta e papel. Pensamentos completam a lauda. Ele a desenha. Sua mente ainda está aberta, mas a janela fecha-se. O horizonte desaparece. Ele a leva consigo.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Belezas Naturais
As belezas naturais ficam fazendo pose o tempo inteiro. Sabem que são esplêndidas e desejadas. Necessitam ser fotogradas. Enfeitiçantes, enfeitiçados de olhos arregalados, caprichos atendidos. Maravilhas da natureza. Maravilhosas por natureza.
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