Ensaio de uma crônica da cidade grande
Pela janela do ônibus, observo o cotidiano de uma cidade grande. É um ir e vir de pessoas. De onde será que vêm? Para onde será que vão? Trabalhar, estudar, ir à consulta, ir para casa... Enfim, o mesmo dia transcorre, é claro, de formas diferentes.
O tempo parece também preso no engarrafamento. Há um mix de pensamentos nessa longa e angustiante espera. Um jovem, no ônibus, ouve música. Uma jovem lê. Há um murmúrio de desencontradas vozes. Cada qual com suas estórias, com suas experiências, com algo para contar. O suor escorre. Do céu, não cai uma gota. A gota escorre e cai de nossa face batalhadora e cansada. Faces, à espera de um próximo passo daquele ônibus que deixará cada um mais perto do seu destino.
Ao fim do dia, cada um, que compartilhou aquele momento, poderá ter um novo relato, uma nova experiência, um novo sentimento, um olhar diferente ou terá nada mudado e, assim, se repetirá, no dia seguinte, no mesmo horário, no mesmo engarrafamento, a mesma estória.

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