quinta-feira, 9 de junho de 2016

Ensaio de uma crônica da cidade grande

 
Ensaio de uma crônica da cidade grande
 
Pela janela do ônibus, observo o cotidiano de uma cidade grande. É um ir e vir de pessoas. De onde será que vêm? Para onde será que vão? Trabalhar, estudar, ir à consulta, ir para casa... Enfim, o mesmo dia transcorre, é claro, de formas diferentes.
O tempo parece também preso no engarrafamento. Há um mix de pensamentos nessa longa e angustiante espera. Um jovem, no ônibus, ouve música. Uma jovem lê. Há um murmúrio de desencontradas vozes. Cada qual com suas estórias, com suas experiências, com algo para contar. O suor escorre. Do céu, não cai uma gota. A gota escorre e cai de nossa face batalhadora e cansada. Faces, à espera de um próximo passo daquele ônibus que deixará cada um mais perto do seu destino.
Ao fim do dia, cada um, que compartilhou aquele momento, poderá ter um novo relato, uma nova experiência, um novo sentimento, um olhar diferente ou terá nada mudado e, assim, se repetirá, no dia seguinte, no mesmo horário, no mesmo engarrafamento, a mesma estória.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pulsos Incessantes

 
 
Quando, dentro do coração, o amor se trancou,
Deixou um vazio na mente e na alma.
Num dia gelado com brisas cortantes,
Sem um mero pensamento de quem se calou.
Não há nada dos olhos para dentro,
Mas há uma chave no centro da palma
Que liberta o predominante sentimento
Trancafiado, mas embalado pelos pulsos incessantes.

Cristais no Chão

 
O vento emaranhou as palavras que começaram aparecer.
Estavam escondidas atrás do coração.
Não saíram em vão, embora nem queriam algo transparecer,
Mas foram flagradas antes de quebrarem como cristais no chão.

Letras, aos pedaços, espalhadas
Com seus significados quebrados.
Só mesmo quem sente dores trincadas,
É quem entende a profundidade de um significante colado.

Ideias insones, palavras latentes
Tudo na mente antes que se reinvente.
O papel é o tempo que lança as ideias e suas vertentes
De tudo o que se sente.

A rima é de fora para dentro.
Divagação impressão, caneta na mão. Há uma luz.
É olhar bem no centro
Do que na poesia reluz.
 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Escrever...







O alimento de um verso não está em um plural inverso. Está na mente, na alma e no coração em paz. A palma se satisfaz. Criação, palpitação. A palavra latente passa pelos intervalos da imaginação. Rasga o peito do verbo e escreve no coração do papel. (Atifah Frey)

Encanto, em cores, enquanto...




"Um singelo encanto, em nuvens, mistura de cores vivas, a beleza derrama-se em meus olhos, transborda em minha alma. O maravilhoso pode estar presente em tudo, tudo, tudo e em mais um tanto. Pinga dos meus dedos, as cores derretidas do que se está em prol, o lindo arrebol. Cor alaranjada, ao vermelho, entrelaçada. A natureza, com seu charme, levanta o véu e mostra suas riquezas, sem rodeio" (Atifah Frey)

sábado, 7 de abril de 2012

Do fundo do coração


 O gelo derrete, aos poucos, com o calor das palavras que nascem da parte mais profunda e quente do coração. Aproximação. A água escorrerá em curvas, desenhando com a mão da intenção escondida atrás do coração. Imaginação.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Infinito


 Unidos pelas alianças da eternidade. Olhando para o mesmo lado, vendo o amor, que é tanto, beirando o infinito.

Contramão


Na contramão, parou para apreciar o dia que corre dentro de si.
Na contramão, seguirá.
Na contramão. Só por um milagre, não haverá colisão.





Quando o sonho tropeçou na realidade, as imagens saltaram-lhe dos olhos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Cores



Respira as cores do dia, enche os pulmões de impressões sinestésicas. De repente, o dia torna-se assim dentro de nós. A brisa, doce, sopra a nuvem, tentando mostrar as entrelinhas. Mente e alma refrescam-se e os pensamentos são pegos com as mãos, não conseguem escapar por entre os dedos. Palavras estão presas na mente. Lê-se o azul da tarde. As cores, às vezes, tentam nos dizer algo.


Linhas do limite


Imobilizado pelas linhas do limite, ele espera um resgate. Seus pensamentos tinham ido na direção oposta, caíram no vão da solidão.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Fios de Sonho


A brisa chega mansa, gentil e calada pelo som do dia calmo. Descansando, na rede tecida com fios de sonho, a batida do coração murmura algo. Ela entende perfeitamente. Fecha os olhos e enxerga a fonte que jorra a imaginação.

Acompanhada por seus próprios pensamentos. Quis tocar a água para saber a profundidade do sonho. Foi quando uma palavra, submersa, tocou-lhe as mãos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pingo no vidro


 Um pingo de chuva que cai no vidro e percorre um caminho, visível aos olhos atentos. Faz um trajeto, é o seu destino. Sem linha reta. Com falhas, mas segue o percurso. Aquele pingo está no limite de sensações distintas: a de estar do lado de dentro,protegida da chuva, com olhos vidrados em um pingo ou de estar do lado de fora, com a chuva inteira. De alguma forma, os olhos estão atentos ao intento do pingo no vidro. Ele, sozinho, cumpre seu destino. Não se intimidou porque se perdeu da chuva. Se o vidro embaçar, o percurso do pingo no vidro, a parte não embaçada, será o elo com o mundo externo, por onde pode-se enxergar o mundo que corre lá fora, é o seu destino, deixar o que há, além da chuva e do vidro, visível aos olhos.

Não importa


Não importa o tempo, não importa a chuva, não importa os pingos que caem quando a paz encontra-se dentro de si. Que a chuva regue os sonhos para que floresçam, cheios de vida. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Anjo


Foi quando o pensamento dela foi até ele e beijou-lhe a mão. Depositando em suas mãos palavras que pulsam no peito. O sentimento dela encontra-se atrás do coração e sai durante o sonho, é quando chega até ele, trêmulo diante de um anjo, brilhante sabedoria.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Beijo


Se seus destinos se encontrassem, a brisa misturaria todas as folhas de papel com verbos, feitos de mel. E suas sedes seriam saciadas com os beijos molhados que gritam em suas bocas. E, do roçar dos lábios, sairia o som do contentamento.

Gotas


Palavras torcidas, sai apenas gotas que molham o papel. Papel borrado de vermelho. Foi a ilusão que o vento trouxe e tocou o papel.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012


Até os espaços das vírgulas são preenchidos pelas divagações à mil. Ela percorre, descalça, o chão macio de pétalas enquanto o destino escreve a história.

 A pureza corre pelo jardim até chegar ao balanço. O vento embala o tempo. Memórias.