Um pingo de chuva que cai no vidro e percorre um caminho, visível aos olhos atentos. Faz um trajeto, é o seu destino. Sem linha reta. Com falhas, mas segue o percurso. Aquele pingo está no limite de sensações distintas: a de estar do lado de dentro,protegida da chuva, com olhos vidrados em um pingo ou de estar do lado de fora, com a chuva inteira. De alguma forma, os olhos estão atentos ao intento do pingo no vidro. Ele, sozinho, cumpre seu destino. Não se intimidou porque se perdeu da chuva. Se o vidro embaçar, o percurso do pingo no vidro, a parte não embaçada, será o elo com o mundo externo, por onde pode-se enxergar o mundo que corre lá fora, é o seu destino, deixar o que há, além da chuva e do vidro, visível aos olhos.

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